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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

HISTÓRIA DO BARALHO


 
O rei de copas não tem bigode.
Perdeu-o quando o desenho original foi mal copiado e o erro persistiu até hoje.

A verdadeira origem do baralho, assim como a da maioria dos jogos de cartas hoje conhecidos, permanece um tanto quanto misteriosa, dizem, os historiadores, que as primeiras cartas surgiram no século X antes de Cristo, no Oriente Médio, outros pesquisadores preferem a versão de que a invenção, na verdade, ocorreu na China, a pedido do imperador Sehum-Ho que deseja presentear uma de suas namoradas.
O fato é que a invenção do baralho, pode ser atribuída a diversos povos, porém os chineses, os egípcios, os árabes e os indianos certamente estão entre os primeiros povos a usar as cartas.
Ao que tudo indica, as cartas, no início eram usadas com fins religiosos e de adivinhação do futuro, o fato é que no século XVI foram introduzidas na Europa pelos árabes, e os europeus, no século seguinte, se encarregaram de espalhá-los pelo resto do mundo.
Cartas do baralho
Castelo de cartas de baralho.
Crédito Gibbons.

As cartas de jogar surgiram no século 9, na China. Essas cartas chinesas antigas eram “cartas de dinheiro”, e tinham quatro naipes: moedas, filas de moedas, miríades de filas e dezenas de miríades. Eram representados por ideogramas com números de 2 a 9 nos três primeiros naipes e de 1-9 no naipe “dezenas de miríades”. Por utilizar dinheiro nas figuras, foi sugerido que tais cartas podem ter sido papel-moeda.
Acredita-se que o baralho foi inventado pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, sob encomenda do rei Carlos VI de França. Gringonneur desenvolveu as cartas do jogo de forma que representassem as divisões sociais da França através de seus naipes: copas para representar o clero, ouro para a burguesia (formada sobretudo por comerciantes), espadas para os militares e paus para os camponeses. A primeira versão tinha 78 cartas. Mais tarde, atribuíram-se significados específicos às cartas com figuras, representando personalidades históricas e bíblicas.
São elas:
  • Rei de Ouros - Júlio César, geralmente portando um machado que simboliza as legiões romanas
  • Rei de Espadas - o rei israelita Davi
  • Rei de Copas - o rei Carlos Magno
  • Rei de Paus - Alexandre, o Grande
  • Dama de Ouros - Raquel, filha de Labão e uma das esposas de Jacó, neto de Abraão
  • Dama de Espadas - A deusa grega Atena
  • Dama de Copas - Judite, personagem bíblica
  • Dama de Paus - Elizabeth I de Inglaterra
  • Valete de Ouros - sir Heitor membro da Távola Redonda
  • Valete de Espadas - Hogier, primo de Carlos Magno
  • Valete de Copas - La Hire, cavaleiro que lutou com Joana D’Arc
  • Valete de Paus - sir Lancelot
 O design atual do jogo de Mahjong (uma espécie de dominó chinês) evoluiu dessas cartas.
Há controvérsias sobre a introdução das cartas na Europa. É provável que os precursores do baralho moderno tenham chegado através dos Mamelucos do Egito, no fim dos anos 1300. A forma do baralho já era bem semelhante ao atual, com quatro naipes (bastão de pólo, moedas, espadas e copos).
Cada naipe continha 10 cartas numeradas e três cartas da côrte: Rei, Vice-Rei e Deputado. As cartas mamelucas não mostravam figuras humanas nas cartas da côrte, mas faziam menção a oficiais militares.
 A Antiguidade das Cartas

Nos jogos antigos, o Rei era sempre a carta mais alta, mas com o tempo, uma significância maior foi colocada na carta mais baixa, a esta altura já chamada de Ás, que às vezes tornava-se a carta de mais alto valor, tornando o dois a mais baixa. Este conceito pode ter sido ajudado pela Revolução Francesa, onde o Ás assumiria o mais alto valor numa simbologia das classes inferiores atingindo maior importância que a realeza.
A marcação das cartas nos cantos veio a facilitar o manuseio, mas só se estabeleceu em definitivo no final do século 18. Nesta época, a carta da côrte com mais baixo valor era o Servo (“Knave”), com abreviatura “Kn”, o que gerava confusão com a abreviatura do Rei (“K”). Em um jogo da época chamado All-fours, o Knave era também apelidado de Jack, e com a confusão estabelecida com o uso de índices com abreviatura, mudou-se o nome do servo para “Jack” e a abreviatura para “J” (o nosso valete).
A isto seguiu-se a invenção das cartas reversíveis, na França, em 1745, por um fabricante local. Mas como o governo francês controlava o design das cartas, isso foi proibido. Mas nos outros locais da Europa e também nos EUA, a idéia acabou se espalhando. As cartas reversíveis vieram a diminuir a chance de alguém espiar o outro jogador invertendo uma carta para visualizar melhor, na tentativa de ver algo, pois agora não importava mais a posição da carta.
O Coringa foi uma inovação americana. Alastrou-se para a Europa juntamente com o poker. Apesar da figura lembrar um bobo-da-corte, acredita-se que não exista relação, até pela origem distinta. Não são usados em muitos jogos, e frequentemente são utilizados como propaganda do logotipo do fabricante.
No século 20, com a invenção de um método para cobrir as cartas de papel com uma camada plastificada, este tipo de baralho tornou-se o dominante até os dias de hoje, com uma durabilidade acentuada. Cartas inteiramente feitas de plástico foram desenvolvidas, e duram ainda mais.
 Os naipes durante os séculos

No final do século 14, o uso do baralho rapidamente se espalhou pela Europa, comprovado por documentos advindos da época na Espanha, Suíça, Florença e Paris. Um livro de contabilidade de uma duquesa de Luxemburgo comprovava a compra de um baralho, com data de entrada de 14 de maio de 1379.
As cartas da época eram feitas à mão, praticamente esculpidas em alto relevo em blocos de madeira, o que as tornavam caras. Por sorte, não muito tempo depois ocorreu o advento da imprensa, por volta de 1400. Mesmo assim, as cartas esculpidas chegavam a competir com as imagens religiosas, como o uso mais comum da madeira.
Na Europa do século 15, os naipes variavam. Podiam chegar a ser cinco. Na Alemanha, eram copas, sinos, folhas e bolotas, e ainda são utilizados em alguns jogos até hoje. Na Itália e na Espanha, cartas do século 15 eram dos naipes espadas, batons, copos e moedas. O Tarô surgiu na Itália também no século 15.
Os quatro naipes de hoje

Os quatro naipes atuais - espadas, copas, ouros e paus - surgiram na França em aproximadamente 1480. O naipe de paus foi uma evolução da bolota alemã, assim como as espadas surgiram das folhas. As cartas da côrte também foram alteradas por volta desta época, para representar a sociedade européia.
Originalmente eram o Rei, o Cavaleiro e o “Knave” (Servo). A dama surgiu na Alemanha, onde as cartas eram Dama, Rei, Cavaleiro e Valete. Cartas feitas na cidade de Rouen, na França, tornaram-se então o padrão inglês, e cartas feitas em Paris viraram o padrão francês, isso por volta de 1500. No final, houve predominância do padrão parisiense.
 Etimologia
 A palavra naipe significa “tipo”, “família”, “estilo”, etc. No Brasil, também é usada como gíria, como no contexto a seguir: “olha o naipe daquele cara” significando: “olha o estilo peculiar daquele sujeito”.
 Nomenclatura

Existem diferentes tipos de baralhos, para cada um deles há naipes diferentes e, por consegüinte, nomes diferentes.
Os quatros ases da baraja espanhola.
 Naipes Espanhóis

O baralho espanhol, ou baraja, representa a sociedade da época que foi criado. Os nomes dos naipes são:
  • Ouros - Simbolizado por moedas de ouro, representa os comerciantes).
  • Espadas - Simbolizado por espadas, representa os (militares).
  • Copas - Pode ser traduzido do espanhol como Taças e é exatamente esse o símbolo usado, representa o clero.
  • Bastos - Pode ser traduzido do espanhol como Bastões ou Paus e representam a classe proletária, os camponeses.
Naipes Franceses
 O baralho francês tornou-se padrão depois da Renascença. Substituiu o cavaleiro pela dama (representação da rainha).
É o mais utilizado nos países de língua portuguesa, onde adotaram-se os naipes franceses, mas com os nomes baseados no baralho espanhol. Além disso, as cartas “reais” têm iniciais em inglês: K (de King,
Rei), Q (de Queen, Dama ou Rainha) e J (de Jack, Valete). Os naipes são:
  • imagensPaus, em francês trèfles (trevos). Conhecido também como “trevo” ou “arvorezinha” (informal);
  • imagensCopas, em francês coeurs (corações). Admite as variações no nome: “taça” ou “coração”;
  • imagensEspadas, piques (pontas de lança ou pinhões). Variações em português: “espadilha”, “seta”, “lança”, ou, informalmente, “punhal”;
  • imagensOuros, carreaux (losangos). Chamado tamém de “losango” ou “diamante”, ou, informalmente, “balãozinho”.
Naipes Alemães
 Na Alemanha, os naipes são estilizados de outra forma:
  • imagensHerz (corações)
  • imagensEichel (o fruto do carvalho)
  • imagensLaub (folhas)
  • imagensSchellen (sinos)
Em outros países

A seguir eis uma lista dos nomes mais comuns em cada país dados aos naipes franceses, apesar de haver jogos específicos em que o naipe é chamado e/ou desenhado de outra forma.
Copas imagens
Ouros imagens
Paus imagens
Espadas imagens
EUA e Inglaterra
Hearts (corações)
Diamonds (diamantes)
Clubs (bastões)
Spades (espadas)
Espanha
Copas (taças)      
Corazones (corações)
Oros (ouros)      
Diamantes
Bastos (bastões)      
Tréboles (trevos)
Espadas      
Picas (lanças)
Itália
Cuori (corações)
Quadri (quadrados)
Fiori (flores)
Picche (lanças)
Suíça Alemã
Schilten (escudos)
Schellen (sinos)
Eicheln (bolotas)
Rosen (flores)
Países Baixos
Harten (corações)
Ruiten (losangos)
Klaveren (trevos)
Schoppen (espadas)
Curiosidades:
- A crença popular que o baralho apresenta simbologia religiosa, astrológica e metafísica se embasa em alguns dados :                    
  • 13 cartas por naipe, mesmo número de ciclos lunares em um ano.
  • Preto e vermelho simbolizam dia e noite.
  • 52 cartas no total (sem os coringas), representam o número de semanas em um ano.
  • 4 naipes correspondendo às 4 estações do ano.
  • Se todos os valores das cartas forem somados, mais um (que se atribui a um coringa solo), o resultado é 365, mesmo número de dias no ano.
  • O Ás de espadas tem sempre design diferente e com o logo do fabricante. Isto começou no reinado de James I da Inglaterra, que fez uma lei obrigando a colocação de uma insígnia real na carta como prova de pagamento de uma taxa.
  • Até 1960 nos EUA, a marca no Às de espadas era prova de pagamento da tal taxa. Hoje em dia, o Às de espadas é uma espécie de garantia nos baralhos americanos. Se o seu baralho tiver algum defeito, basta mandar a(s) cartas defeituosas e o Às de espadas para o fabricante e ele te repõe.
  • Os Valetes de Espadas, Copas e o Rei de Ouros são desenhados em perfil, ao contrário das outras cartas. São chamados de “one-eyed” (caolhos).
  • O Rei de Copas é desenhado com uma espada atravessando por trás de sua cabeça e o machado do Rei de Ouros está atrás de sua cabeça, apontado para ele. Motivos pelos quais são chamados de “reis suicidas”.
  • O Rei de Ouros é o único armado com um machado, todos os outros reis têm espadas. Alguns o chamam de “o cara com o machado”.
  • A Dama de Espadas é a única que segura um cetro, as outras seguram flores.
  • O Rei de Copas é o único rei sem bigode. Isto é atribuído a falha na impressão dos baralhos mais antigos, pois acredita-se que originalmente ele teria bigode.
  • Designs mais antigos e outros diferentes ainda predominam em certas regiões européias como Alemanha, Hungria, Espanha, Itália e Romênia. 
ME DÁ UM BOCADINHO ?

Um comentário:

  1. Gostei da postagem.
    Desconhecia a origem.
    Rogoldoni

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