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terça-feira, 16 de abril de 2013

ARTE NAS CADEIRAS


CADEIRAS DE BALANÇO
A Cadeira de Balanço é um tipo de cadeira que possui seus pés interligados dois a dois possibilitando o balanço da cadeira.
Por ser relaxante, é usado muitas vezes por pessoas idosas ou outras que não conseguem dormir.
Como muitos dos objetos seculares de uso, não se sabe precisamente qual a sua origem e a cadeira de balanço é uma delas. 
Ela provavelmente surgiu em função do conforto e relaxamento causado pelo balanço ritmado numa peça de mobiliário de deitar ou de reclinar em contato com o chão, seja qual tenha sido o tal móvel. Podia ser um tronco curvo, um galho longo ou mesmo uma laje de pedra onde a parte superior fosse plana e a de baixo em curva,num arco cujo angulo fosse adequado para causar o movimento cadenciado e sem exageros na rotação. 
A Cadeira de Balanço é uma categoria de uso especial, ela é mais do uma simples cadeira ou poltrona fixa, requer mais conforto e segurança e tem um conceito e construção formal próprio.

Consideramos inicialmente aqui como “cadeira de balanço” aquelas que tem um movimento ondulatório no sentido longitudinal de sentar, o vai e vem do corpo se balançar seguindo um arco de apoio situado na base da cadeira. 
Existem outros movimentos de uma pessoa se balançar sentado,  reclinado ou até mesmo deitado num móvel, como também de fazer movimentos em torno de um eixo e até no sentido transversal de uso, mas essas categorias de uso serão vistos posteriormente. 
O que se sabe é que o movimento de balanço foi aplicado primeiro nos berços para os bebês  dormirem por volta do século XV  e em seguida nos brinquedos de cavalo e o “rocker”  ( dai vem o nome em inglês, rocking chair) era a pessoa encarregada de balançar o berço dos bebês. 
Berços pintados pelos artistas renacentistas, Piero Dela Fransesca e Andrea Mategna mostram os pequenos móveis com o movimento de balanço para os bebês dormirem.
Para uso dos adultos este uso específico da cadeira surgiu no século XVIII, provavelmente pelos ingleses, que a levaram para os EUA e lá se difundiu. Na verdade, ninguém sabe quem foi o primeiro a adaptar o arco de movimento na base de uma cadeira comum. 
 
Os historiadores só puderam rastrear as origens da cadeira de balanço na América do Norte durante esse século. Elas foram originalmente utilizadas em jardins e varandas e eram de início cadeiras comuns um pouco mais alongadas, nas quais apoiavam-se a pontas dos 4 pés em arcos de madeira para o movimento de balançar. 
Umas das poucas cadeiras desse tipo que sobraram desse periodo, data de 1710.
As cadeiras Windsor, como ficaram conhecidas, surgiram perto do castelo de Windsor no início dos anos 1700. Estas cadeiras são caracterizadas por um espaldar dobrado para trás em curva e finos raios de madeira  atrelados diretamente no assento. 
Eram cadeiras com design leve que aparentavam fragilidade,mas a estrutura composta de várias peças finas de madeira davam a rigidez e a resistência necessária para o uso a que se propunham. 
Por volta de 1750 eram amplamente utilizadas nas fazendas e residências urbanas americanas. Por causa disso podemos  considerar os colonos americanos como os primeiros designers da história a desenvolverem típicas cadeiras de balanço.
A cadeira de balanço feita de vime foi outro projeto popular criado nessa época. A produção de cadeiras de balanço e outros  móveis de vime atingiu o seu pico nos Estados Unidos nos meados do século XVIII. Eram popularmente conhecidos os artesãos de vime e ficaram famosos por suas habilidades na confecção de objetos com esse material e desenhos criativos. 
Em 1787, a “rocking chair” apareceu pela primeira vez no dicionário de Oxford.
A partir de 1800, com o avanço da revolução industrial, as cadeiras de balanço começaram a ganhar mercado na Europa e EUA. Não mais se restrigiam a estilos ou maneirismos obtidos pela adequação de uma cadeira fixa ao arco de balanço e se diversificaram em forma e construção. 
Mas foi nos EUA que essa categoria de cadeira se espalhou em termos multiformais. Ganharam até nomes apropriados, - como os carros que surgiram só no século seguinte-, segundo as características do design, da região específica e da cidade onde eram fabricadas. 
A forma Shake se disntiguia das demais por usar nos espadaldares com peças de madeira no sentido horizontal.
 O vime como material já era utilizado desde  o império romano e esse material flexível foi usado na Europa para a fabricação de cestos e móveis.  A primeira cadeira de balanço de vime surgiu na Inglaterra, mas foi nos EUA que o uso desse material se propagou para combater a importação europeia, e essa concorrência favoreceu o design e a produção nas regiões americanas onde esse material era abundante e barato. 
Surgiram então muitos modelos desenvolvidos com vime nos EUA no século XIX. Eram modelos de construção esmerada e com desenhos floridos e formalmente diversificados.
 
Outro material  muito utilizado pelos colonos americanos eram os galhos do Adirondack, uma árvore originária da Inglaterra. Maleável, barato e durável embora de aparência rústica, o adirondack sozinho ou combinado com outros materias naturais, forneceu a partir da metade do século XIX bons e bonitos exemplos de cadeiras de balanço feitas  de forma artesanal.
Não seguiam um design com um estilo conhecido ou que revelasse uma tendência formal. Eram peças exclusivas e possivelmente de modelo único e  de acordo com a criatividade e cultura local do artesão. Simples, diferentes, rústicas e multivariadas formalmente e detalhes de construção bem interessantes.
A partir da metade do século XIX com a famosa Feira Mundial na Inglaterra em 1851, a história da cadeira de balanço começa a mudar. A Revolução Industrial já era uma realidade e embora o design continuasse preso às formas dos estilos tradicionais,  o modernismo foi aos poucos surgindo e a cadeira de balanço foi uma das categorias dos objetos de uso que seguiu essa nova abordagem formal e conceitual. 
Os marcos dessa mudança foram dois: os produtos de características multiformais de Thonet e a cadeira de ferro dobrado de Peter Cooper.  
Thonet foi um dos precursores em industrializar as cadeiras de balanço.
 Mas foi o modelo em ferro dobrado desenvolvido por Peter Cooper que inaugurou o Design Moderno da cadeiras de balanço, ainda na metade do século XIX. Um Design primoroso e inovador para a época. Não devendo nada às que são produzidas atualmente em termos de ergonomia, material e forma.
 
 Enquanto Thonet revolucionava com o seu processo industrial de dobrar os bastões de madeira e Peter Cooper decretava o início da nova era formal para o design da cadeira de balanço, os modelos de características formais clássicas se misturavam com outros de tendências mais modernas em várias partes do mundo. 
As duas ultimas décadas do seculo XIX trouxeram a afirmação dessa categoria de móvel e o design surgia já com características formais modernas e de tecnologia variada.
 
O século XX entra na modernidade movido pelos movimentos artísticos que surgiram nas últimas décadas e o design da cadeira de balanço surge altaneiro e desafiador. 
Seja no lindo design Art Nouveau de Henry Van de Velde, na ousadia formal e construtiva de Antonio Volpe, na simplicidade formal de um designer anônimo e até no exagero formal e de conforto de Lloyd Loom.
Com o fenomeno do design moderno da Bauhaus, as coisas formais de uso tomaram outros rumos. O uso do tubo  de aço inoxidável virou uma febre por parte dos designers funcionalistas e a madeira tecnicamente já usada há séculos recebeu novos tratamentos tecnológicos.
O curioso é que a cadeira de balanço não foi umas das categorias de uso preferidas pelos designers bauhasianos e só alguns poucos modelos foram desenvolvidos nessa época. Na simplicidade formal e na beleza do movimento expresso pelas curvas, em metal ou madeira.

E foi pelo casal Eames que a ousadia de firmou, em plena guerra mundial. Novos materiais foram usados e determinaram novas formas para o especifico uso.
Depois da guerra, o design e a produção foram aos poucos se levantando e na década de 1950, alguns exemplos mostram essa recuperação. E de forma bastante ousada, pelo uso aprimorado dos materiais, nas formas e na inovação tecnológica surgidas  pelo esforço da guerra, a modernidade  enfim chegara para ficar  no design da cadeira de balanço.

Os anos 1960s chegaram junto com a explosão do consumo e culminou com o design avançado dos italianos e escandinavos.  As formas inusitidas deram o mote. Nos anos 1970s, surgiram poucos exemplos dignos de nota, mesmo assim o design não foi esquecido nessa categoria de uso. 
A revolução formal  e construtiva avançava. Até de papelão uma cadeira de balanço foi desenvolvida, a de Franck Ghery em 1972. 
E durante as últimas duas décadas do séc. XX, a cadeira de balanço ao invés de avançar, retrocedeu e só alguns designers se aventuraram nessa seara e trouxeram a contemporeneidade. No final do século, a tecnologia da inovação passou a fazer parte do contexto do design como um todo e a cadeira de balanço, mesmo sendo um objeto de uso peculiar, participou com alguns exemplos bem interessantes.  
 
Três exemplos se destacaram nessa nova onda formal: a Monsieur X de Philippe Starck de 1996 numa solução formal das antigas; a Peter Opsvik com a Gravity  pela ousadia formal e funcional e a de Ron Arad, a esquisita Soft Heart.
A Monsiuer X é uma daquelas caratices de Starck de voltar ao passado, de fazer um design revisitado, mas  ela prima por ser de ótima qualidade estética e de uso. Tem equilíbrio formal e realmente parece ser uma coisa antiga. Vá lá, tem quem goste.
A Gravity Balance de Peter Opsvik é uma fantástica obra de invenção nessa categoria de uso. É ousada, bonita e de construção inusitada, embora um pouco instável.
A Soft Heart segue a obcessão de Arad pelas curvas acentuadas e gordos volumes, mas é totalmente diferente de tudo que se fez nessa categoria de uso, ao reverter a posição do balanço, com o assento ao contrario e de ainda ter um encosto  transversal como uma poltrona comum. Não é lá essas coisas todas de conforto e bem estar no balanço, mas é uma inovação formal e funcional.

O inicio do  seculo XXI veio com algum estrondo no desenvolvimento da cadeira de balanço. Num concurso internacional  para lembrar e afirmar que essa  catergoria de uso continua viva realizado em 2002,  surgiram alguns conceitos passíveis de uso. Pelo menos a ideia secular de balançar numa cadeira foi relembrado e algumas inovações formais e de construção surgiram.

 

GREEN EYES 

3 comentários:

  1. Nossa acho que está completa a história das cadeiras de balanço, com todos os seus formatos e modelos parabéns bjss

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  2. As tradicionais, lindas!
    As modernas, arrojadas!

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  3. muito boa essa matéria...a algum tempo me despertou o interesse em confecção de cadeira de balanço,fiz 2 e gostei do resultado,,hoje vendo essa matéria e os modelos apresentado, me veio novas inspirações,,muito obrigado pela postagem,,Fiquem com Deus

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