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domingo, 16 de setembro de 2012

UM POUCO DE CARLOS GOMES 15





A LINDA "VILLA BRASILIA" DE CARLOS GOMES

Eu, na casa de CARLOS GOMES em Lecco, perto de Milão

As fotos foram tiradas em Outubro de 2009, em viagem a Milão – aspecto  atual da propriedade de CARLOS GOMES em Maggianico, com suas árvores  tropicais por ele plantadas ainda em pé e saudáveis, mesmo em clima  desfavorável.

Inicia em 1879 a construção em Maggianico de Vila Brasilia, onde é  vizinho de Ponchielli e em sua casa a bandeira brasileira estará sempre  exposta e será hasteada todos os dias. Essa Vila será poucos anos  depois, a principal causa da falência econômica do maestro.

Jardins de Villa Brasilia - outono

O lago di Lecco, chamado por ele de Lagoa Formosa, tinha como companhia um bosque de jequitibás e falava-se só o Português.

Jardins de Villa Brasilia - outono

 CARLOS GOMES frequentava Lecco já há muito tempo, passava lá longas  temporadas com a família ora em hotel, ora em casa alugada. Seu colega e  amigo Amilcare Ponchielli, assim que pôde, mandou construir, em  Maggianico, uma vila em terreno arborizado.

Jardins de Villa Brasilia - outono

Foi, então, que CARLOS GOMES comprou ao lado do terreno de Ponchielli,  em ótimas condições, uma lindíssima porção de terra ondulada, bem em  frente ao prolongamento do Lago de Lecco, com aproximadamente 10 mil  metros quadrados.

Jardins de Villa Brasilia - inverno

A Vila fica pronta em 1881, então, muda-se para lá; foi magnânimo nos  gastos com sua construção. Fica na região de Brianza, a 3 km de  Maggianico.

A Vila era e continua bonita, mas não é um exemplo máximo de luxo e de  suntuosidade. E o que dizem os livros sobre a mansão ter sido construída  muito maior e mais luxuosa do que CARLOS GOMES teria estabelecido com o  arquiteto não é verdade. CARLOS GOMES não só sabia de tudo, como  incentivava despesas maiores e não previstas.


Jardins de Villa Brasilia - inverno

A luxuosa casa de Maggianico fica ao lado da casa de Ponchielli, na região da Brianza. A Vila Brasilia é um palácio.

A princípio, envolvido pela beleza do lugar, CARLOS GOMES esperou, em  tempo relativamente curto, poder cobrir o déficit inicial. Encantava-o  viver em um ambiente artístico muito animador e em um lugar de veraneio  encantador.


Em Lecco, pertinho de Vila Brasilia

Era um paraíso com 4 hectares de bosques. Ao se entrar na propriedade,  sente-se estar numa floresta tropical com mais de trezentas árvores  Ficcus, ao lado de imensos pinheiros centenários, que me deixaram  absolutamente fascinada. Quando os portões do jardim se abriam, o  perfume das camélias convidava a entrar, lindas flores que no outono  estão adormecidas, portanto, não tive a sorte de desfrutá-las. Mas estão  lá.

O edifício era e ainda é de refinado gosto, com feições burguesas,  estilo neoclássico, em alta na época, tornando-se um ponto de referência  para artistas e burgueses de Milão. CARLOS GOMES cobriu as paredes da  casa com os enfeites e armas dos índios: eram arcos, flechas de diversas  tribos brasileiras, tacapes, cocares, inúbias, diademas e mantos de  penas de araras, maças de guerra, trompas; um museu de curiosidades  indígenas do mais pitoresco efeito.


Ao terminar a escadaria da casa, há uma pintura maravilhosa no teto, com águias em alto relevo, nos quatro cantos dela.


Jardins de Villa Brasilia - outono

Araras e papagaios enchiam a varanda em volta da casa. Havia um grande  viveiro, cheio de pássaros do Brasil, enviados por Sant’Anna, por amigos  e transportados pelo próprio maestro: arapongas, patativas, sabiás,  caboclinhos.

Na casa, havia vasos pintados pelos índios tupi-guarani.

No pomar, famílias de saguis habitavam muitas lindas casinhas de madeira construídas especialmente para abrigá-los.


Eu, nos Jardins de Villa Brasilia - outono

 Eu, nos Jardins de Villa Brasilia - maio deste ano de 2012 - primavera

Batí esta foto da fachada da casa de CARLOS GOMES este ano de 2012 - maio - primavera
 A pequena porção do Lago di Como, que fora batizado por ele de Lagoa  Formosa, passa em frente e CARLOS GOMES manda colocar uma canoa com o  nome de Pindamonhangaba pintado de verde e amarelo, para divertir-se com  os italianos que quebravam a língua ao tentar pronunciar o comprido e  estranho nome.

Em frente à mansão, havia, e ainda hoje estão lá, as enormes estátuas de Peri e o Cacico, presentes de seu editor.


Jardins de Villa Brasilia - inverno

À margem, algumas moitas de bambu.

Um edifício monumental.

Apenas uma coisa deixou-me muito triste: o histórico e lindo coreto está abandonado, restando dele apenas a armação de ferro.

A fonte, em frente à mansão, também está sem vida. Não resistindo ao  impulso, procurei uma pedra bem do fundo dela e trouxe-a comigo para o  Brasil, como uma recordação de momentos especiais em minha vida.


Neste coreto aconteceram festas grandiosas !

Eu no Coreto da Villa Brasilia - este ano de 2012 - primavera - mes de maio

 Nos Jardins de Villa Brasilia - maio deste ano de 2012 - primavera

 Sob um imenso pinheiro, plantado por CARLOS GOMES, nos Jardins de Villa Brasilia - maio deste ano de 2012 - primavera

 Ao lado de uma das fontes, nos Jardins de Villa Brasilia - maio deste ano de 2012 - primavera

Ao lado da Estátua de Peri, na entrada da casa - primavera - maio de 2012

 Ao lado da Estátua do Cacique, na entrada da casa - primavera - maio de 2012

 Rua que tem o nome do maestro CARLOS GOMES, em Lecco - 2012

 LAGO DI COMO

É um lago de origem glacial que possui uma vista maravilhosa em toda sua  extensão; com uma área de 146 quilômetros quadrados, é o terceiro maior  lago da Itália, depois do Lago de Garda e do Lago Maggiore.

Tem mais de 400 metros de profundidade; é um dos mais profundos da  Europa e o fundo do lago é de mais de 200 metros – 656 pés – abaixo do  nível do mar.

Sua beleza de águas azuis, rodeado de montanhas e pequenas vilas de  casas de alto padrão, é um local onde a maior parte da elite de Milão  reside.


UMA CRÍTICA E UM COMENTÁRIO SOBRE "O GUARANI"

Rubino Profeta, ex-diretor do San Carlo de Nápoles, escreveu sobre "O GUARANI" em 1971:

“A esplendorosa sinfonia, o arrebatador dueto do 1º ato, os robustos  “concertati”e as poderosas cenas de conjunto, ainda hoje impressionam o  público pela espontaneidade da inventiva e por aquela prepotente carga  de teatralidade que estava nos alicerces da personalidade incomum de  Carlos Gomes.”

Cleber Papa comenta que:

“O Guarani de Belo Horizonte é para mim uma versão dramatúrgica  definitiva porque pude encontrar soluções cênicas que me deixaram muito  satisfeito e acho que com os achados desta partitura, a obra ganhou um  sabor particularíssimo”.


FRASE DA VEZ:


Em carta a amigo, CARLOS GOMES fala sobre o HINO A CAMPINAS:

“(…) O TONICO DE 1836 JÁ ESTÁ MEIO VELHOTE, MAS O CORAÇÃO DO CAIPIRA É  SEMPRE MOÇO PARA AMAR CAMPINAS E O POVO DE SUA TERRA NATAL. (...)

ACEITE, POIS, CAMPINAS, DO FILHO AUSENTE, NESSAS POBRES HARMONIAS, AS  HOMENAGENS E AS EXPRESSÕES DE VIVO E SINCERO AMOR."


Fonte: Meu livro "OLHOS DE ÁGUIA - ANTONIO CARLOS GOMES - A TRAJETÓRIA DE UM GÊNIO" - a ser publicado.




5 comentários:

  1. A melhor pesquisa: "in loco"!
    Belo, Denise!

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  2. Estou mudando para a Italia e para minha surpresa fui ver um apartamento em término de construção para comprar em frente ao Parque Carlos Gomes!
    Andrea

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  3. Denise, prazer em conhecê-la.
    Sou Miriam Prado, fotógrafa e jornalista brasileira.
    Estou em Lecco e pretendo fazer uma reportagem sobre a Vila Brasilia e principalmente sobre a ópera Il Gaurani que foi composta quando ele estava na Itália. Se tiveres alguma informação a além do que está escrito aqui e puderes me enviar por email, fico grata.

    miprado.fotos@hotmail.com

    Segue meu facebook: Miriam Prado Guarani kaiowá.

    Um abraço.

    Miriam Prado.

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  4. Parabéns pelas fotos e pelo texto.
    Estou relendo "O SELVAGEM DA ÓPERA' de Rubens Fonseca e seu texto com as fotos saciou
    minha curiosidade sobre a morada de Carlos Gomes na Itália.
    Somos,apaixonados,eu e minha esposa pelo lago de Como,pela sua magia e poesia.
    O local ideal para compositores,sem dúvida.
    Leonir Carlos Krupa.

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