"SINFÔNICA:80 ANOS DE ABNEGAÇÃO, publicado no jornal "Correio Popular" de hoje - 3 / 10 / 09
... No pacote de primeira, embarcou até o maestro Luiz de Tullio, outro nome emblemático da história campineira. Episódios registrados e relatados atualmente por pesquisadores como Denise Maricato (sobrinha trineta de Carlos Gomes)...
Antes de mais nada, CAMPINAS precisa de uma AULA DE HISTÓRIA LOCAL... ministrada pela professora e viúva do maestro Mário de Tullio, Amélia Fera de Tullio,
que transcrevo aqui:
"FAMÍLIA DE TULLIO"

"Originou-se do casamento de Emílio di Tullio, musicista e Mariangela Checchia, na Itália e no Brasil.
Emílio foi também Regente de Banda.
Do casal, vieram 4 filhos:
- Ana di Tullio Volpe, que não praticou música e nem seus dois filhos.
- Pompeo di Tullio - instrumentista de Banda e Orquestra, percussão e trompa.Seus 6 filhos não seguiram a carreira musical.
- Luiz di Tullio - Maestro da Banda Militar de Curitiba, onde se radicou. Teve 5 filhos, que não seguiram carreira musical.
- João di Tullio ( obs. de DENISE MARICATO - que vem a ser o bisavô dos meus filhos, pois, sou casada com seu neto, Célio)- nascido na Itália e naturalizado brasileiro, radicou-se em Campinas e fez curso de Regência e Banda na Itália.

Instrumentista de trompa, piston e trombone. Quando jovem, fez parte da "Banda dos Tullio", regida por seu pai, o maestro Emílio di Tullio. Depois (seu pai voltou para a Itália), seguiu tocando em Orquestras da cidade e eventualmente em Orquestras de Companhias de Teatro, Ópera, Revistas e Variedades, que visitavam a cidade. Prosseguiu regendo a Banda Italo-Brasileira, desde 1912 até a sua morte em 1946.
Foi o segundo regente da Primeira Orquestra Sinfônica Campineira (Sociedade Sinfônica Campineira) e um de seus fundadores; 1929 - na gestão do Maestro Titular, Salvador Bove.
Esta Orquestra foi desativada em 1953.
Tem o seu nome numa das ruas de Campinas. (R. Maestro João di Tullio).
Além disso, fez muitos arranjos para a Banda e uma transposição para Banda da Ópera "Cavalleria Rusticana" (partitura completa)
Dedicou-se de corpo e alma à música, principalmente de Banda, incentivando vocações de jovens musicistas, alojando-os muitas vezes, em sua própria casa, para continuarem seus estudos. Estes jovens quase sempre vinham do interior.
FATO MARCANTE DE SUA VIDA -
Era 7 de Setembro de 1922. Comemorava-se o Centenário da Independência no Rio de Janeiro. Entre as festas da comemoração,houve um Concurso de Bandas dos Estados e de fora do Brasil. A Banda Italo-Brasileira estava presente, representando Campinas, levada pelo campineiro ilustre Álvaro Ribeiro. Era prefeito o Dr. Rafael Duarte, também grande incentivador das artes.
À noite, na Esplanada do Castelo, iluminada por faróis dos navios no porto, entre eles, o Minas Gerais, quando a Banda ia executar a Sinfonia do Guarani, um vento levou a partitura; ele, calmo, executou a peça regendo seus músicos, SEM A PARTITURA, ao tempo certo, sem um senão.
Foram aplaudidíssimos e trouxeram para Campinas o título de melhor Banda do Festival.
No regresso, compôs a marcha "A Volta do Rio".
Campinas, nessa ocasião, ofertou-lhe uma Batuta de ébano, encrustada em ouro e madrepérolas, que foi por ele doada posteriormente â campanha "OURO PARA O BEM DE SP".
João di Tullio foi casado com Maria Julieta (obs. de DENISE MARICATO - que vem a ser a bisavó dos meus 3 filhos, avó do Célio, meu marido e a quem conheci já velhinha, mas uma mulher admiravelmente forte !). Desse casamento tiveram 10 filhos. Seguiram a carreira musical, alguns.
Os que seguiram a carreira musical foram:
- Luiz de Tullio

Estudou violino com o prof. Torquato Amore; foi prof. de violino e instrumentista de Orquestra. Regente autodidata. Violinista "spala" da Orquestra Sinfônica e outras, como orquestra de cinema mudo.
Depois de desativada a Orquestra Sinfônica, Luizinho reuniu seus alunos de violino, formando o conjunto "Jovens Violinistas de Campinas". Logo, aderiram ao conjunto, músicos remanescentes da extinta Orquestra Sinfônica, fundando a Orquestra Universitária Católica de Campinas.
Mais tarde, na gestão do prefeito Ruy Novaes, estimulado pela Secretária de Educação, Jacy Milani, assumiu a regência da já então, Orquestra Sinfônica Municipal, até 1974.
Miguel e Léa Ziggiatti o estimularam também em sua carreira. Também foi músico da noite campineira.
- Mário de Tullio

Formado em piano pelo Conservatório de Canto Orfeônico Maestro Julião da PUCC.
Anteriormente estudou com os professores Miguel Ziggiatti, Alice Gomes Grosso (obs. de DENISE MARICATO - que era irmã de minha bisavó, ambas filhas de Sant'Anna Gomes, meu trisavô), Salvador Bove, Mário Monteiro, Hugo Bratifisch, Guilherme Mignone e Ichel Berkowitz do Conservatório de Leipzig, este radicado em Campinas.
Era o regente substituto da Orquestra Sinfônica, na ocasião em que seu irmão, Luiz de Tullio era o titular.
Regeu algumas vezes a Orquestra Sinfônica Campineira.
Sempre foi profissional de música. Desde a idade de 17 anos, já era profissional.
Músico das noites campineiras na década de 1920 e do cinema mudo.
Free-lancer de Orquestras de Companhias de Teatro de Revistas, Operetas, Variedades, etc.
Acompanhou instrumentistas como Iberê Gomes Grosso (filho de Alice Gomes Grosso); cantores como Agnaldo Rayol, Afonso Ortiz Tirado, tenor Lucchiari, Cristina Maristany e outros.
Dirigiu a Orquestra da Rádio Educadora de Campinas por algum tempo.
Compositor e arranjador de músicas, orquestrador. Exerceu o cargo de professor de Música dos Colégios Liceu Salesiano N. Sra. Auxiliadora, Externato São João, Ateneu Paulista, Diocesano, Cesário Mota, Ginásio Celestino de Campos e Ginásio Estadual de Itapira.
FATOS MARCANTES DE SUA VIDA:
Foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica, chamada antigamente de Sociedade Sinfônica Campineira em 6 de Outubro de 1929.
Regeu Orquestras de danças nos Clubes de Campinas, especialmente no Clube Concórdia, bailes de formatura e Carnavais nos clubes, Tenis Club e Cultura de Campinas.
Regeu Orquestras em banquetes, a personalidades famosas como Ademar de Barros,Júlio Prestes,Getúlio Vargas,Castelo Branco.
- Angelo de Tullio:

Percussionista em Orquestras de danças e da Orquestra Sinfônica Campineira, do cinema mudo e da noite.
- Pompeo de Tullio:

Foi aluno de violoncelo do maestro Armando Belardi, músico da noite e solista da Orquestra Sinfônica Campineira. Professor de violoncelo.
-Edgar de Tullio - Contrabaixo em Orquestras de danças, mas não seguiu a carreira musical.
- Nelson de Tullio - Estudou piston por algum tempo. Bandeirista. Não seguiu a carreira musical.
- Leonor de Tullio Lopes - Estudou piano por algum tempo, mas não seguiu a carreira musical. (obs. de DENISE MARICATO - minha sogra)
E ainda,
- Aída de Tullio Iglésias
- Yolanda de Tullio.
-------------------------------------------------------------------------
FOLHA ORIGINAL DAS ANOTAÇÕES DA PROF. AMÉLIA:

Como podem ver, é preciso estudar melhor sobre este assunto, pois, parece-me que NÃO SE CONSEGUE ENFIAR ISTO NA MEMÓRIA DE CAMPINAS.
O famoso "banco de memórias" da UNICAMP, ou não possui muitos documentos e provas... ou então... não sei... alguém teria a resposta ?... o que seria... por que seria...ainda tem muita gente viva,que presenciou essa odisséia toda ! Ainda dá tempo de conferir dados !
Senão, vão ter que me aguentar !!!
É só o começo !!!!!!
HÁ QUE SE DAR NOMES AOS BOIS...
E o repórter Rogério escreveu:
... No pacote de primeira, embarcou até o maestro Luiz de Tullio, outro nome emblemático da história campineira. Episódios registrados e relatados atualmente por pesquisadores como Denise Maricato (sobrinha trineta de Carlos Gomes)...
Algumas observações pertinentes:
A primeira orquestra estabelecida não foi regida por meu trisavô Sant'Anna Gomes e sim, por SALVADOR BOVE. Meu trisavô regia orquestra que se formava com gente de fora, para alguns eventos.
1922 - Antes da formação da Sociedade Sinfônica Campineira era a Banda Italo-Brasileira que representava Campinas nos concursos fora daqui.
Aliás, para quem ainda não sabe, TODOS OS UNIFORMES DA BANDA, eram confeccionados pela alfaiataria do maestro João di Tullio, que era a única que tinha condições de fazer este trabalho. Quem pagava ? AH ! Claro, isso é o mais importante, não é ?
Pois é... quem pagava TUDO ISSO, era o maestro JOÃO DI TULLIO. (vamos decorar ?)(diretores da sinfônica, assistentes de diretores da sinfônica, historiadores da Campinas desmemoriada, pesquisadores das prateleiras e prateleiras de papelada de bibliotecas e jornais e arquivos e museus, organizadores disso e daquilo em Campinas com esclerose... mexam-se e pesquisem A VERDADE !)
Chega dessa história de jogar a "dinastia" Tullio pra debaixo do tapete, campineiros !!!!!!!!!!
Como fizeram, de uma forma disfarçada, com Carlos Gomes !!!!!
Sim, porque até (e principalmente)em minha família - que é de descendentes de Carlos Gomes, acontecia (?)esse fenômeno ! Recebem medalhas e flores, mas não o merecem...pois, o desprezo ainda está lá, só que ninguém de fora vê...
Bom, continuando:
Contava João di Tullio com a magnífica parceria e cumplicidade de sua mulher, Julieta di Tullio mulher forte e corajosa.
1929 -Primeira apresentação da Sociedade Sinfônica Campineira - 15 de Novembro, no Cine- Teatro São Carlos.
Foi após um contato com Jacy Milani, secretária municipal de educação e o prefeito Ruy Novaes, que o reitor concordou em transferir os instrumentos e o corpo de músicos à prefeitura.
O MAESTRO LUIZ DE TULLIO NÃO EMBARCOU em nada, como foi dito... ele sempre esteve AQUI !E ele não é mercadoria, para ser embarcado ou despachado, ou sei lá... ele FOI O REGENTE DA ORQUESTRA, que foi oficializada por DECRETO, bem como Reynaldo Prestes e Jordão Bruno Lunardi foram nomeados, administrador e redator-arquivista da Orquestra, respectivamente.
Rogério, não nos conhecemos, mas já podemos unir nossas forças para o bem da história de Campinas. Conte comigo para o que você precisar. Fico muito indignada com as injustiças cometidas.
VAMOS ESTUDAR, CAMPINAS !! QUE VERGONHA !