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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM POUCO DE CARLOS GOMES 20










NEVE EM  VILA BRASILIA

Esta postagem foi colocada no blog em dezembro de 2009 e eu estou repetindo aqui:

Como é bom ter amigos !! 

No dia em que terminei de vez a última revisão do meu livro "Olhos de Águia - Antonio CARLOS GOMES - A Trajetória de um Gênio"... e, como uma "encomenda do além"... no momento seguinte ao encerramento do livro, fui à minha caixa de correio e tive uma surpresa fantástica !

Meu amigo, Diretor da Scuola Civica (ex- VILA BRASILIA) mandou-me um e-mail especialíssimo: NEVE EM  VILA BRASILIA !

Foi meu mais lindo presente de Natal, Ano Novo e chave de ouro para o meu livro !

Como tenho outras fotos inéditas, que reservei para o livro, resolvi dividir esta maravilhosa surpresa com vocês, meus amigos e com todos os gomesianos !

Podem chorar de alegria e êxtase comigo !...








TRIBUTO A CARLOS GOMES

Recebi do meu querido amigo de Milão, maestro Giovanni Fornasieri, este jornal ! Divido com todos os gomesianos !

 Transcrição do Artigo do Jornal Feminino de Artes, Letras e Críticas do Rio de Janeiro – 11 de Julho de 1936 (fiel à ortografia da época) 
“Seu nome resôa no fragor espumante das nossas cataratas, fulgura em nossos céos, perpassa no farfalhar das nossas selvas bravias, canta na musica apaixonada das nossas melodias, sibila na quietude das nossas moitas indígenas, echôa em nossos montes, palpitaem nossa raça, vive, soluça e vibra no coração do Brasil !

Festeja-se o seu Centenario, as paginas da sua vida, carinhosamente narrada pela sua filha, D. Itala omes Vaz de Carvalho, são folheadas com enthusiasmo, revivem-se os tempos românticos em que, à luz das estrellas luminosas, as donzellas de olhos baixos cantavam, commovidas, as Arias apaixonadas do Schiavo, enquanto os poetas de longas cabelleiras suspiravam à voz maviosa das tremulas Cecys.

Rememoram-se as suas obras: “A Noite do Castelo”, “Joanna de Flandres” “Maria Tudor”, “Colombo”, “Salvador Rosa”, “Fosca”, “Condor”, “Schiavo”, “Guarany” e toda a pompa fidalga dos tempos romanricos, a galanteria amorosa dos salões antigos, a amargura da escravidão, o lyrismo de Alencar, a exuberancia artistica de 1800, resurgem na agitação do seculo em que vivemos, como a Victoria do sentimento sobre a derrota do materialismo.

Bisneto de uma índia, lhe corria nas veias a seiva tropical, ardente, vigorosa, arrebatada, melancholica e impulsiva.

A sua existencia foi uma constante manifestação desta origem indigena, os rompantes do seu temperamento febril, a fuga da casa paterna, o remorso depois, aquella tendencia pelos motivos selvicolas, aquella attracção pelas verdes florestas da Tijuca e das Paineiras, onde em certa occasião se ia envenenando com fructas do matto, o amor pela pátria, tão forte, tão enraizado, tão violento,que cousa alguma conseguirajamais arrefecer, nem as calumnias, nem as hostilidades, nem mesmo as guerras dos patricios invejosos, nem tão pouco os longos annos passadosem terras extranhas e longinquas.

O seu porte magestoso e altivo, sua cabelleira revolta, seu olhar de fogo, lembram o gigante de granito que a poesia pátria exculpiu na rocha abrupta das nossas cordilheiras cyclopicas.

Interprete impetuoso do sentir de uma raça, Carlos Gomes espalhou pelo mundo,, atravez de suas symphonias vibrantes e apaixonadas, os característicos da alma brasileira, tão gravados, tão nítidos, tão fortes nas suas manifestações musicaes, que o brasileiro, ouvindo um accorde siquer das suas operas no extrangeiro, se sente assaltado por profunda nostalgia da pátria.

Esta foi, é e será, a razão principal da sua immortalidade. Sua vida de soffrimento e de luctas foi grande porque foi bella !...

Uma das passagens mais commoventes da sua peleja pela Gloria, foi aquelle gesto de gratidão ao Imperador que o auxiliara à semelhança de Luíz II de Baviera ajudando a Wagner nas suas grandiosas aspirações artisticas.

Recebendo a notícia da queda da monarchia, narra com delicadeza subtil sua extremosa filha o profundo desgoosto que o acommettera bem como a recusa, mais tarde, quando passava pelas mais duras difficuldades, de acceitar a quantia de vinte contos em ouro, offerecida pela Republica que trahira seu Imperador, para escrever seu novo hymno.

Aqui transcrevo as suas palavras por achal-as dignas e perfeitamente em harmonia com o fino temperamento de um grande artista.

-“ Não posso... seria acceitaro eterno castigo de me ver sempre por dentro, a mancha negra da ingratidão.”
 


Bello e sublime gesto, inteiramente de accordo com a grandeza de suas inspirações !...

Outro trecho da vida do genial maestro, de rara perfeição moral, foi a contenda que manteve com o poeta Paravicini, por occasiãode compor o Schiavo. Não tendo este consentido que se enxertasse na sua obra litteraria o Hymno da Liberdade, com os versos especialmente escriptos por um amigo do maestro, Carlos Gomes preferiu, embora enfrentando grande sacrifício, retirar sua opera dos cartazes do theatro de Bologna, quando tudo se preparava para um novo sucesso seu.

Estes pequenos detalhes da sua vida, que denotam a qualidade superior dos seus sentimentos, tornaram-no de certo grande e victorioso.

Lendo e relendo sua existência, não se tem a decepção tão commum que, em geral, encontramos nos actos Moraes da mor parte dos gênios.

Ao contrario, tudo em  Carlos Gomes foi belleza e harmonia; sua musica não é mais do que a revelação de um temperamento generoso de uma alma de escol.

Não quero deixar de destacar aquelle detalhe singelodo seu destino de artista: o raminho de jasmim estrella que lhe enviára de Campinas a irmã saudosa, dentro de uma folha de papel azul, com o perdão do pae.”


  MAIS PERFUME DOS JARDINS DE VILA BRASILIA DE CARLOS GOMES:

COM SUAS ÁRVORES CENTENÁRIAS !


COM UMA FONTE SOLITÁRIA !

COM UM CORETO QUERENDO REVIVER !

COM O SOL BEIJANDO AS ÁRVORES !

COM A CASA DO AMIGO PONCHIELLI BEM AO LADO !

COM UM COLORIDO EXUBERANTE ! E MUITO ENCANTO.

ASSIM ESTÁ A VILA BRASILIA, QUE VIROU SCUOLA CIVICA MUSICALE DI LECCO !


MAESTRO GIOVANNI FORNASIERI - SOBRINHO-TRINETO DA ADELINA PERI (MULHER DE  CARLOS GOMES), HOJE, MEU QUERIDO AMIGO.

 Maestro Fornasieri ao piano, na estréia do Especial da EPTV - Acordes de uma Vida - 2009


Yolanda Gomes ( falecida) e eu na estréia - Royal Palm Plaza - 2009


Célio, eu e Marino Ziggiatti Royal Palm Plaza - 2009


Giovanni e eu no topo da Catedral de Campinas - 2009

O lindo discurso que ele fez e deu-me o original, por ocasião da estréia do Especial de CARLOS GOMES, no Hotel Royal Palm Plaza:

TESTO DI PRESENTAZIONE



TRANSCRIÇÃO DO TEXTO:

Queridos amigos, próximos e distantes, autoridades do mundo do Espetáculo e da Comunicação, vocês todos aqui presentes.

É com grande alegria e gratidão que aceitei o vosso gentil convite, para presenciar este avant première do documentário televisivo sobre a vida e obra do meu ilustre ancestral CARLOS GOMES.

Chego à vossa amada e esplêndida terra (Brasil), pela primeira vez, e confesso que se realiza assim, um sonho e uma inspiração que me acompanham desde criança, quando conheci a história do famoso tio GOMES; assim era chamado por minha mãe e avó maternas.

CARLOS GOMES era o tio adquirido de minha avó, também pianista e pintora.

Lembro-me com viva emoção da bacchetta de ébano de Diretor de Orquestra de CARLOS GOMES; as abotoaduras de brilhante nos pulsos engomados de sua camisa.

Lembro-me também do retrato que minha avó fez a ele, tendo sido depois, doado ao Conservatório de Milão; da Antologia de árias e Sinfonias do grande Tonico, como familiarmente era chamado; guardadas em um belo volume em brochura de cor bordô, do qual minha avó nos presenteou no ano de 1962, quando então eu tinha quatro anos; do piano de mógano e palissandro (miller & organ), modelo keystone, proveniente da Pensilvânia, Estados Unidos, como presente de suas núpcias em 1909, Dia da Liberação, acompanhando os cantos e danças daquele dia de festa para toda a nação italiana.

Piano no qual estudei e que ainda existe em perfeito estado de conservação depois de 100 anos.

Sou pianista, diretor de orquestra, docente, mas acima de tudo um estudioso no sentido etmológico da palavra, que vem do latim "studere": olhar com vivo interesse algo ou alguém, ou seja, literalmente, sou um apaixonado indagador da realidade.

Por isso, sempre me interessei por assuntos, tais como: Filosofia, Literatura, Teatro e Poesia; motivado e educado pelo meu amado pai, professor de Física e Matemática, mas também violinista e poeta amador.

Amo a Arte e tudo o que é belo e ainda não encontrou a luz e o justo conhecimento.

Neste sentido, desejo fazer aqui, hoje, diante de vocês, uma solene declaração e expressar um desejo, que precisa também da vossa generosa e viva colaboração.

A declaração diz respeito ao justo, devido e tardio reconhecimento da obra "Fosca" de CARLOS GOMES; o primeiro e original protótipo do chamado "soprano dramático", ou seja, aquela personagem com caráter de cantora/atriz, que teve depois, tanto sucesso no mundo da ópera.

Sem entrar em detalhes, se pode tranquilamente dizer, que tal reconhecimento foi atribuído injustamente a A. Ponchielli, autor da famosa "Gioconda", por um preconceito anti-estrangeiro e também por interesses de casas editoras italianas da época.

O grande desejo, que chama em causa também vocês, se quiserem, seria ter a possibilidade de representar pela primeira vez em absoluto na Itália, a obra talvez mais acabada de CARLOS GOMES - "Lo Schiavo".

Parece incrível, mas é verdade, esta obra não foi nunca representada na Itália.

Seria justo, além de artisticamente relevante, ativar cada canal possível, para tentar retomar com sucesso esta corajosa e gloriosa iniciativa. Ficaria muito honrado, se tivesse o privilégio de poder dirigí-la.

Naquela época, um brasileiro em Milão e hoje, mais de 100 anos depois, um milanês no Brasil, descendente, mesmo que indireto, do maior músico de 1880.

Surpresas da história...

Sinto-me também brasileiro, queridos amigos, e assim como GOMES elegeu a Itália como sua segunda pátria - "a pátria dos meus filhos" - dizia ele... desejo de alguma maneira, manifestar o meu agradecimento, por de certo modo, fazer parte de vossa história e quem sabe futuramente, um colaborador ativo da vossa vida musical.

Lembrei GOMES no ano de 1986, na comemoração do aniversário de 150 anos de seu nascimento, com uma Exposiçao fotográfica do Palácio Sornani em Milão, organizada pela inesquecível Maria Euterpe Nogueira do Centro Cultural Brasileiro; depois em 1996, centenário de sua morte, com um concerto monográfico inteiramente dedicado a GOMES, no Teatro Social de Lecco e enfim aqui, como se eu fosse um ator deste preciosíssimo documentário.

No próximo mes, dirigirei em Milão, músicas de um outro grande compositor brasileiro, Villa Lobos, comemorando os 50 anos de sua morte.

Faço votos que este agradável encontro possa ser início de uma grande correspondência de intenções, afeto e paixão, que liga os nossos respectivos países, escolhendo a música como referência, que como dizia Beethoven - "é a realização máxima de toda a sabedoria e filosofia." - , porque a música é beleza e a beleza, como dizia São Tomás - "É o esplendor da verdade."

Seria também justo e devido representar aqui em Campinas, sua terra natal, sua última obra "Condor", nunca antes representada.

Terei uma grande honra em poder contribuir à sua realização, fazendo voar hoje aqui, o seu majestoso "Condor" !
 


Obrigado de coração

CURRICULUM DE GIOVANNI

Giovanni Fornasieri was born in Milan in an artistic family. His father, a phisician, writes poems and plays violin, whereas his grandmother, Laura Donadon, pianist and good painter, is Adelina's (Carlos gomes wife) niece. Even from childhood he knows Carlos Gomes music through grandmother's piano scores and plays "Il Guarany" at the piano she gave him. He was born in Milan where completes his classical and musical studies with Anita Porrini and Alberto Ferrari, graduating in piano from Genova Conservatory N. Paganini.

Studied "direzione d'orchestra" with Piero Bellugi and Franco Ferrara in Fiesole (Fi), having the course at Corso Nazionale di Perfezionamento and was sent to Bari by Ferrara, getting his merit degree.

Beyond that, participates with the Bologna Studio Theater through Vladimir Delman and inaugurates for two consecutive years the Estate Musicale Pescarese, conducting "Il Signor Bruschino" by Rossini and the burletta in one act "Arlecchinata" by Salieri.

Successively, gets the merit certificate in the contest Carlo Zecchi and is invited to conduct the Bari Symphony Orchestra and some concerts in "Auditorium N. Rota".

Conducted concerts with: the Milano Orchestra Angelicum, San Remo Symphony Orchestra, Orchestra Mario Gusella, Ambrosiana Academy of Chamber Music, Nuova Cameristica, Budapest Chamber Orchestra, Arad State Filarmonic, getting everywhere, consensus of critic and public.

Has collaborated with famous artists as Severino Gazzelloni and Alirio Diaz, Bruno Canino, Anna Kravcenko, conducting concerts in important events.

In 1995 does a revision of the original "Amor contrastato ossia la Molinara" by Paisiello, with messin scene and representation in co-operation with Teatro alla Scala di Milano.

Has recorded for Rugginenti-Audio and Mediolanum Channel.

He is professor of masterclass of vocal Music with piano a Accademia Internazionale della Musica di Milano.


BRAVISSIMO, MAESTRO !!!!!!!!!!!

 UM TESOURO ACHADO EM MILÃO

Partituras preciosíssimas de CARLOS GOMES que eu trouxe da Biblioteca do Conservatório de Música de Milão:

1) "AO CEARÁ LIVRE" - Marcha Popular - 25 de Março de 1884) (Edit. Ricordi)


2) "SE SA MINGA" - Rivista del 1866 - Dedicata al mio caro Maestro cav. Lauro Rossi - (R. Stabilimento - Tito di G. Ricordi)


3)"NELLA LUNA" Rivista del 1868 (All'Esimia Artista di Canto Sig. Carlotta de Barathy)(Proprietà dell'Autore per l'Impero del Brasile)(Edit. Milano F. Lucca)


 
 (Representata al Teatro Carcano l'autunno 1868) (Proprietà dell'Editore per tutti i paesi) 23 

4) "INNO ALPINO" (parole di A. Ghislansoni - Musica di A. Carlos Gomes) (Edit. F. Lucca) ( Sezione di Lecco - Club Alpino Italiano)



5)"HYMN FOR THE CENTENNIAL OF THE AMERICAN INDEPENDENCE" (To the American People celebrated by Philadelphia on the 4 of July 1876 composed by command of his Majesty Don Pedro II Emperor of Brazil.


6)"INNO MARCIA" - (espressamente composto e dedicato al Collegio Militare di Milano in Omaggio all Esercito - parole di Francesco Giganti - Ufficiale nell'Esercito) (Edit. F. Lucca - proprietà per tutti i paesi)



7)"CORO TRIUMPHAL" - Ao Povo Campineiro - (espressamente composto para solemnizar a abertura da Exposição Regional de Campinas no anno de 1885) (Edizioni Ricordi - Milano - Roma - Napoli - Firenze - Londra, 265, Regent Street W.- Per la Francia ed il Belgio V. Durdilly & Cia. - Boulevard Haussmann, 11 - Paris)



8)MARIA TUDOR" (rappresentato per la prima volta al Teatro alla Scala in Milano il 27 Marzo 1879) (Edizioni Ricordi - prop. per tutti i paesi)

 
9)"MARCHA MILITAR" - (dedicada aos alumnos da Escola Naval do Rio de Janeiro) (Editore Arturo Demarchi - Milano - Buenos Ayres)



10)"L'ORIUOLO" - (Galop - Biblioteca dei Corpi di Musica Civili e Militari - diretta da Giuseppe Mariani) ( R. Stabilimento Tito di Gio. Ricordi e Francesco Lucca - G. Ricordi & C.) (Editori-Stampatori) (Proprietà degli Editori - Deposto a norma dei trattati internazionali. Tutti i diritti di esecuzione, transcrizione e riproduzione sono riservati).














  


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UM POUCO DE CARLOS GOMES 19








CRÍTICAS SOBRE A "FOSCA"

FILIPPO FILIPPI, no jornal LA PERSEVERANZA de Milão, em 15 de fevereiro de 1873, comenta a respeito da "FOSCA":

 “Ontem ao meio-dia houve ensaio geral da Fosca de Gomes no Teatro Scala; foi a portas rigorosamente fechadas, mas a fortuna quis que um bom gênio me levasse a um ângulo escuro do teatro, de onde passei três horas de deliciosas emoções… noi potremmo garantire um completo e colossale sucesso. Antes de mais nada Fosca é uma Ópera, uma ópera verdadeira e completa no mais amplo significado da palavra: o drama que é belíssimo – honra ao poeta Ghislanzoni – ocorre com eficácia e rapidez e Gomes se emancipa das convenções sem jamais cansar.
A instrumentação é verdadeiramente maravilhosa e, seja qual for o êxito desta noite, manteremos sempre nossa indestrutível opinião de que a Fosca é obra de um mestre, de um artista. No Guarany Gomes prometia. Na Fosca mantém as promessas com usura. No Guarany havia incertezas, discordâncias, desigualdades, na Fosca temos criação de um só gesto, unidade e justa medida sem falar nos fortes sintomas de originalidade.”

A GAZZETTA MUSICALE comenta sobre a "FOSCA":
 
“Pode-se dizer que é indubitavelmente o melhor trabalho do maestro americano. Expressa tudo de sua inspiração selvagem. O gran finale consiste num grito do guerreiro, mas somente Gomes poderia traduzir em música tal filosofia e tais efeitos.” 

FILIPPO FILIPPI manifestou-se ainda assim, sobre a "FOSCA":
 
“Não há na Fosca uma só frase comum ou trivial. Tudo é nobre e grandioso e se não é sempre absolutamente novo, é comparável às composições de Verdi, Wagner, Rossini.”

Segundo MÁRIO DE ANDRADE:

 Mário de Andrade

(eu, Denise, corrigiria para: Talvez seja....)

É talvez, o único momento em que ele pretendeu se elevar acima de si mesmo e avançar em arte, um pouco além do ponto em que jazia a italianidade sonora do tempo.
Mas a força do libretista não dava para tanto. Carecia que a genialidade do compositor fosse tamanha que, apesar do libreto, a sublimidade da música eternizasse a obra. 
A Fosca representa qualidades admiráveis, tanto na polifonia, como sob o ponto de vista do trabalho orquestral.

É uma das obras primas da música dramática do século XIX. Ambientação excelente. Música sobre fundo de água, como deveria ser um drama entre corsários e vênetos. Os movimentos barcarolados, os compassos compostos se multiplicam com naturalidade.
 

Acerta muito bem no princípio lírico-dramático de caracterização especial de cada cena. A todo momento apresenta invenções deliciosas de objetividade dramática. São realmente melodias diversas, elásticas, livres e de excelente plasticidade linear.”


FILIPPO FILIPPI, no LA PERSEVERANZA de Milão, em 8 de fevereiro de 1878, comenta cinco anos mais tarde sobre a "FOSCA":

“O público estava mais disposto para a severidade que para a indulgência, mas as belezas da partitura, a sua força dramática o abalaram. O Maestro foi chamado ao proscênio vinte e duas vezes… Este pleno sucesso da Fosca lisonjeia também um pouquinho meu amor próprio de crítico.

Faz cinco anos… me foi feita a honra de dizer que meus louvores antecipados foram causa do primeiro insucesso. O público, desta vez, esteve longe de tais extravagâncias e foi feita justiça a uma partitura que não apenas é muito superior a outras do mesmo maestro, mas é uma das poucas que transcende da abundante mediocridade.”

No IL PUNGOLO de Milão, em 10 de fevereiro de 1878, lê-se, sobre a "FOSCA":
 
“E começamos a resumir a crônica em uma palavra; um sucessão. Vinte e quatro chamadas ao maestro – aplaudidas todas as peças – aplausos e chamadas insistentes, calorosas, unânimes no fim da ópera… se isto não pode chamar-se um sucessão, não sabemos que coisa possa merecer este nome… a Fosca é uma bela ópera que ontem de noite agradou grandemente e cada noite que se seguirá agradará sempre mais.”


Escreve a GAZZETTA MUSICALE a respeito da "FOSCA":

“A Fosca de Gomes, que por estes dias é interpretada no nosso Scala, pode-se dizer que é uma ópera quase toda nova, que nada tem a ver com o antigo melodrama do ilustre maestro brasileiro. Foi de tal forma modificada, e especialmente a instrumentação, que se transformou numa nova produção absolutamente original.

Em Fosca, até agora o melhor trabalho do maestro americano, Gomes transfunde todas as suas aspirações de poeta selvagem. As últimas notas do grande final são um grito bárbaro de guerra que, entre todos os maestros, somente Gomes podia traduzir em música com tanta filosofia e tanto efeito.”

Na década de 1870, a "FOSCA" se apresentou em:

• Milão – ´73;

• Buenos Aires, Rio de Janeiro, Bolonha, Londres – ´76;

• Buenos Aires, Rio de Janeiro – ´77;

• Milão – ´78 – a mais cantada na temporada, com 15 récitas e com 24 chamadas do autor na primeira noite;

• São Paulo – ´79.

Na década de 1880:

• Rio de Janeiro, Salvador – ´80;

• Recife – ´82;

• Como –´86;

• Módena, uma memorável apresentação – ´89)


CURIOSIDADES DO MES DE CARLOS GOMES:

Em carta a Theodoro Teixeira Gomes, em janeiro de 1894, CARLOS GOMES explica sua relação com a política: 

“Milão, 4 de janeiro de 1894

(…) Todos sabem que eu não tenho política, que não me meto em barulho (a não ser o da música), mas que, como brasileiro patriota, tenho o direito de censurar ou aplaudir os atos, os procedimentos de quem governa hoje na nossa terra, do mesmo modo que qualquer politicote diletante da música está no direito de gostar ou não dos meus trabalhos. Cada vez me convenço ainda mais de que a arte e os artistas de algum merecimento, todos reunidos, valem nada, em comparação a um só da política.”

 

FRASES  DE CARLOS GOMES:

Carlos Gomes entendia o inglês, mas não falava nada. Então, em suas cartas aos filhos dizia:

“ESTUDEM INGLÊS... ESTUDEM INGLÊS, MEUS FILHOS !... VEJAM O QUE ACONTECE QUANDO NÃO SE CONHECE AS LÍNGUAS ESTRANGEIRAS."

“FUI SACRIFICADO. NÃO COMPREENDERAM A FOSCA. NECESSITO DE OUTRO LIBRETO PARA DAR-LHES MÚSICA ITALIANA."

Fonte: Meu livro "OLHOS DE ÁGUIA - ANTONIO CARLOS GOMES - A TRAJETÓRIA DE UM GÊNIO" - a ser publicado. (ainda sem patrocínio para ser editado).








quarta-feira, 18 de setembro de 2013

UM POUCO DE CARLOS GOMES 18









CRÍTICAS SOBRE "SALVADOR ROSA":

O jornal A FANFULLA de Roma, afirmava sobre "SALVADOR ROSA", que “o triunfo fora pleno, máximo e a música belíssima”.

Por toda parte, como escreveu FILIPPO FILIPPI, o “povo era levado a urrar de patriotismo.”

O VOCE LIBERA de Gênova, assim dizia que:

“A segunda representação da ópera Salvador Rosa tornou-se, ontem, uma luminosíssima confirmação do triunfo da primeira récita – e três vezes o Gomes foi chamado à honra do proscênio." 

O MOVIMENTO escrevia depois da terceira representação:

“Ontem à noite se deu, no Carlo Felice, a terceira representação da ópera do Cavalheiro Gomes, Salvador Rosa, muito aplaudida, como já dissemos, nas duas primeiras representações. O teatro estava cheíssimo. O compositor foi chamado vinte vezes ao proscênio; foram-lhe oferecidas duas coroas de louros, uma das quais com o emblema cívico. (…) Carlos Gomes escreveu, portanto, uma partitura na qual junto com a crítica artística satisfez o gosto do público, menos inteligente sim, mas não menos severo. Perfeita a instrumentação, espontânea a melodia, apaixonada sempre e cheia de vida, como a ardente natureza do compositor brasileiro. Gomes está destinado a ocupar um dos primeiros lugares entre os mais excelentes compositores de nossa época.”

O semanário VARIETÀ pronunciava:


“O sucesso foi triunfal… O maestro Gomes revestiu o libreto do Ghislanzoni com uma música imensamente bela.”

O jornal A GAZZETTA estampava em de 25 de março, apreciações sobre a nova ópera em que se falava de páginas estupendas, sublime, música rica de sábias e engenhosas harmonias, plena de belas canções e assim por diante.

No PERSEVERANZA, FILIPPO FILIPPI fazia, como sempre, uma extensa e explicadíssima crítica:


“Gomes é um compositor que sabe conciliar o estudo com a inspiração; engenho dúctil, versátil, suas transformações são interessantíssimas: esta maleabilidade é uma qualidade rara, que o tornará aceito pelo público, sem menor valor em relação às severas, ideais, elevadas exigências da arte.

Duas outras qualidades de Gomes são a segurança, a potência da interpretação dramática e a riqueza da instrumentação. O seu instrumental é rico, elegante, robusto.” 


Nos jornais GAZZETTA DI GENOVA e GAZZETTA MUSICALE DI MILANO, de 29 de março de 1874:

“O Cavaleiro Gomes trouxe um triunfo para o teatro Carlo Felice: quase todas as peças da ópera foram aplaudidas e, nas duas primeiras apresentações dos dias 21 e 22, fez cerca de setenta vezes o caminho do proscênio… O Salvator Rosa é a última ópera da temporada; é uma clausura brilhante que por algum tempo nos fará pensar com prazer no senhor Gomes…”

FILIPPO FILIPPI, na GAZZETTA MUSICALE DI MILANO, em 5 de abril de 1874, escreve:


Filippo Filippi

“No Salvador Rosa, o maestro Gomes buscou e obteve uma simpática conciliação entre as duas exigências, infelizmente quase sempre opostas, do público e da arte. Escreveu uma bela música, fácil, elegante, melódica, de efeito imediato, fugindo à trivialidade, à vulgaridade e à prolixidade suspeita de quem não sabendo criar, copia mal os outros… esta ópera é daquelas que devem agradar a qualquer público.”No FIRENZE ARTISTICA, de 6 de outubro de 1874, e no GAZZETTA MUSICALE DI MILANO, de 18 de outubro de 1878, lê-se:
“O sucesso do Salvador Rosa, que desde o ensaio geral se pressagiava esplendidíssimo, foi confirmado pela primeira apresentação de ontem, sábado, 5 do corrente… O público, numeroso e seletíssimo, quis saudar o compositor no proscênio por mais de trinta vezes.”

O jornal GAZZETTA DI TRENTO de 12 de setembro de 1875, registra:

“O maestro Gomes, passando sob os arcos triunfais erguidos à sua passagem com O Guarany e com este seu Salvador Rosa, pode fazer, enfim, com ânimo tranquilo e sereno o seu ingresso na nobilíssima plêiade dos maestros compositores da época contemporânea.” 

TRAJETO DE "SALVADOR ROSA"

Só na década de 1870, "SALVADOR ROSA" se apresentou: em Gênova, Trieste, Milão, na Inglaterra, Alemanha e no Brasil – ´74; Turim, Piancenza, Ravenna, Montevidéu, Voghera, Buenos Aires e no Rio de Janeiro – ´76; Módena, Bérgamo, Brescia, Voghera, Pádua, Cuneo, Parva, Vicenza, Ancona – ´77); Malta, Florença, Roma, Milão – ´78); Gênova, Chieti, Livorno, Milão, Turim, Malta, Vercelli, Lodi – nesta cidade a temporada começa com Salvador Rosa, estreia I Lombard de Verdi que, entretanto, cai e volta Salvador Rosa – ´79.

Na década de 1880, apresenta-se: no Rio de Janeiro, em Salvador, Recife, Florença, Nápoles, Atenas e em Crema, Lodi, Verdecelli, na abertura da temporada dessas três cidades, junto com O Guarani – ´80; em Verona – ´81; em Tolentino, Parma, no Recife e em Salvador – ´82; em Pádua, Palermo, Cremona, Cagliari e Sassari, na abertura de temporada dessas cinco cidades – ´83; no Rio de Janeiro e em São Paulo – ´89.

Apresentou-se em Buenos  Aires em 1897.



CURIOSIDADES DO MES DE CARLOS GOMES:

Antes de embarcar para os Estados Unidos, CARLOS GOMES faz seu testamento, ponderando sobre seu estado de saúde:  

 “TESTAMENTO

Milão, 1º de maio de 1893

Sem inúteis palavras, os meus queridos filhos Carlos e Ítala são por Direito e por Lei, os meus herdeiros universais.

Portanto, sem intervenção de pessoa alguma, nomeio os mesmos meus filhos Carlos e Ítala, executores desta minha absoluta e espontânea vontade.

Em fé me assino

ANTONIO CARLOS GOMES

(residente em Milão, na Via Morone, 8, Brasileiro e Patriota)”  

MEU COMENTÁRIO:

A única herança deixada por CARLOS GOMES aos filhos, foram alguns objetos pessoais, partituras de suas óperas e outros rascunhos, alguns poucos móveis e... sua OBRA.

Morreu absolutamente pobre. 


FRASES DE CARLOS GOMES:

Em carta datada de 24 de outubro de 1883 a Tornaghi, seu amigo, em italiano, escreveu:

“IO SONO DI UNA RAZZA BARBARA MA RICONOSCENTE SINO ALLA MORTE A CHI SI DEGNA DI APPREZZARMI, MASSIME COMO UOMO."

Literalmente: 

 “EU SOU DE UMA RAÇA BÁRBARA, MAS RECONHECIDA ATÉ A MORTE A QUEM SE DIGNA APRECIAR-ME, PRINCIPALMENTE COMO HOMEM."

“EU SOU DE AÇO ! QUEBRO, MAS NÃO DOBRO !"

Fonte: Meu livro "OLHOS DE ÁGUIA - ANTONIO CARLOS GOMES - A TRAJETÓRIA DE UM GÊNIO" - a ser publicado. (aguardando patrocínio)